Ser ou não ser
A tragédia de Letícia, designer de “belzonte”
Ser ou não ser designer, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer layouts e diagramações
Com que o Briefing, enfurecido, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Criar.. ilustrar: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E os mil “roughs” naturais-herança do homem:
Pensar para criar… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o “ insight”:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a criatividade.
Que impõe tão longo “brainstorming” aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os bugs e a formatação do mundo,
O agravo do computador, a afronta do orgulhoso,
Toda a imaginação do mal-prezado labor,
A insolência oficial, as dilações da chefia,
Os clientes que dos nulos têm de suportar
O profissional paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita arte-final
Com o click de um mouse? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a tela fatigante…
Se o receio de alguma coisa para a gráfica
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais artista algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O bureau assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a cor normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos imprimam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar “designer”.







