Observador de aviões

sem título

As pessoas são divididas em dois grupos: os observadores de aviões, e os pilotos.

O 1º grupo são os observadores. Sim, a palavra diz tudo: apenas observam, do seu modo passivo de viver as coisas. Sabem tudo sobre os aviões, e até fazem viagem imaginárias com eles. No máximo pegam carona em alguns. Seus olhos miram o céu e essas máquinas tão poderosas e mais leves q o ar. Mas seus pés estão cravados no chão,. Sua vida é terrena e limitada a apenas sonhar com cada viagem.

O 2º grupo são os pilotos. Esses não temem, não se contentam em apenas olhar. Eles querem viver, querem manusear, segurar o manche, fazer acrobacias ou descansar num voo tranquilo. São senhores de suas próprias vidas. Passam por provas e desafios até conseguirem voar. E não desistem, mesmo com o risco de cair. Esses não olham p o chão, e sim p as estrelas. Para eles o céu não é algo a ser contemplado, e sim seu Habitat. Eles não sonham, eles voam.

Às vezes um observador cruza na vida de um piloto, e o leva p admirar seu universo, onde o voo só existe em pequenas frações de sua vida terrena. E o piloto fica lá, olhando nos olhos do observador um desejo q p este vive só na mente. Então o piloto o convida a conhecer o seu universo tb, a voar, enfrentar os ventos, as correntes, atravessar as nuvens negras. Ele quer mostrar p o observador q o céu, visto de cima, tem outras formas, outras cores. E q o por-do-sol fica logo ali, que quase pode tocá-lo do alto.

E assim o piloto fica por um tempo, pois o observador cria promessas de voo. Cria expectativas de q irá tirar os pés do chão. Às vezes recua, o q é compreensível p quem sempre esteve agarrado ao solo. Mas, apesar de todo o receio, ele promete um voo ao lado do piloto. Entre promessas e recuos, o piloto se vê observando também. Suas asas murcharam, e ele está preso ao solo. Está se metamorfoseando em um observador de aviões, baseado na promessa de um voo a dois pelo universo.

Mas o piloto então compreende q quem nasceu p ser observador, nunca irá alçar voos com suas próprias asas. Sempre viverá de voos imaginários p de desligar temporariamente de sua vida passiva na terra. E quem nasceu p pilotar, morre caso permaneça muito tempo na finitude do solo. Então o piloto fortalece suas asas e vai embora. Não se pode impor um destino infinito a quem não tem coragem de desfrutá-lo.

E o piloto vai embora. Retoma suas atividades, relembra como é voar. Ele já olha p o alto com um ar mais familiar. E diz p o céu: “Estou retornando”. E voa, plana, brinca c as nuvens, se molha nas tempestades p poder se secar ao alvorecer. Quanto ao observador, bom, ele continua lá, onde sempre esteve: parado, olhando p algo q ele nunca vai alcançar.

Aviões não nasceram p ser observados. Nasceram p ser pilotados. E só quem tem a alma livre pode fazer isso.

Uso e desuso

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Segundo Lamarck, a Lei Do Uso e Desuso explica as modificações que levam à adaptação dos seres. Se um orgão é muito utilizado, desenvolve-se. Já o seu não uso causa o seu enfraquecimento.

Em síntese: “Quanto mais usa cresce, quanto menos usa encolhe”

Pq Lamarck? Pq eu precisava de um embasamento científico. Foram 2 anos sem utilizar o dom da escrita, então ele deve estar um pouco prejudicado com este desuso.

Mas ainda bem q tem a contrapartida, e creio que com o reuso constante, inverterei a atrofia e as palavras se desenvolverão novamente aqui no meu Fantástico Mundo.

Bora reaquecer os motores das palavras!!

Gracias Lamarck!!

“Enta”…

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Este ano fiz 40.

Pois é, agora sou um Ente com “Enta”

Que bom q “enta” tá na moda, posso ser o q eu quiser agora:

Sargenta, Clienta, Comedianta ou Presidenta.

Posso pintar minha vida de preto, amarelo, ciano e magenta.

Posso ser calorenta ou friorenta. Ou uma ciumenta barulhenta, uma mulher q arrebenta!

Posso correr debaixo de uma tormenta. Ou mergulhar na água benta.

Posso seguir adiante ou voltar p a maternal placenta.

Enfim….

Estou dançando na cadência dos “enta”, descompassadamente lenta.

Bora cavar um túnel dia a dia rumo aos três dígitos centenários. A gente tenta.

Enquanto isso a gente aguenta e se reinventa!!

Pigmaleão

Hoje acordei com a palavra Pigmaleão na cabeça. É uma palavra q adoro, e resolvi buscar seus significados, além do mitológico, q já conheço.

Pigmaleão, na psicologia, é um efeito de nossas expectativas e nossa relação com a realidade, como se a realinhássemos de acordo com as nossas expectativas em relação a ela. Meio confuso, né? Em síntese é como se a gente esculpisse a nossa realidade com ferramentas de sonhos e vontades.

Na mitologia, Pigmalião era um excelente escultor. Tão bom q decidiu esculpir a mulher ideal. A estátuta de tão viva q era, acabou por desencadear a paixão do seu autor. Assim Pigmaleão implorou à Deusa Afrodite uma mulher igual. A Deusa então transformou a estátua numa mulher de carne e osso, chamada Galateia, q se tornou sua esposa. (Antes era Galatéia, mas com o novo acordo ortográfico, até as Deusas mudaram sua grafia…rs)

Mas aí, como nem tudo é “felizes p sempre”, vieram as TPMs, os ciúmes, as manias, as implicâncias c os amigos e com as cervejadas… então ele implorou a Vênus q sua então amada Galateia voltasse a ser estátua! hehe

Tudo bem q esse final foi por conta dessa “Pigmaleoa” que vos escreve, q anda com as ferramentas das expectativas meio em baixa!! Mas fazer o quê, a realidade nem sempre traz belas esculturas….

Esculpindo argilas

Desejos simples, por que é tão complicado?

Me calo perante minha impotência, e me apoio em  incertezas.

E assim minha alma segue entre passos lúcidos e bêbados em direção a um rascunho inacabado.

Uma vez uma mulher me disse: Somos todos argila.

Podemos nos tornar uma obra de arte, podemos continuar a ser um monte disforme.

Vou pintando, vou esculpindo, desejando encarnar Michelângelo para finalizar essa obra como um grande David, ou uma grande Pietà.